terça-feira, 28 de setembro de 2010

De regresso


Foram diversos meses de ausência.
Estou grato a todos os amigos que me interpelaram e me fizeram sentir que este blog já fazia parte do seu mundo.
Quando decidi suspender a publicação de posts nunca foi minha intenção dar por terminada a actividade bloguista, mas como compreenderão, nem sempre é fácil conciliar as responsabilidades com o lazer e, por motivos diversos, tive que suspender.
Aqui estou de novo, com gosto e prazer para voltar a partilhar convosco uma parte do meu espaço.
Em primeiro lugar quero saudar o blog Largo das Moreirinhas e o seu autor, o amigo Joaquim Ribeiro, que vai certamente contribuir para criar ainda mais laços entre o Carvalhal e os seus amigos, estejam eles onde estiverem.
Parabéns Joaquim Ribeiro
Haveria neste momento muita coisa para dizer e publicar, mas reservarei para o futuro; não deixando, porém, de registar aqui a triste notícia, já de todos conhecida e publicitada pelo Blog Largo das Moreirinhas. Refiro-me ao falecimento da Ti Celeste que ocorreu no dia 09 de Agosto.
A ti Celeste foi sem dúvida uma mulher muito querida na aldeia e todos recordarão com saudade a sua força e coragem.
Vai realizar-se no próximo dia 23 o segundo encontro anual dos Amigos do Carvalhal, com almoço reservado na Quinta da Valenciana, em Fernão Ferro, Seixal; exactamente no mesmo local onde decorreu o almoço do ano passado.
Brevemente darei mais pormenores.
Não te esqueças de participar.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Os voos rasantes do Alberto da Tia Rita

Alberto da Silva Pereira, natural do Carvalhal da Atalaia, foi, nos anos quarenta e cinquenta do século passado, um distinto oficial da Força Aérea, onde chegou ao posto de major. E mais tarde, foi dos primeiros comandantes da TAP, pilotando os Caravelle e os Boeing da empresa, onde sempre foi muito estimado e conhecido como "o comandante Pereirinha".
Os seus conterrâneos e os pinhelenses conheciam-no apenas por "Alberto da tia Rita", que era o nome da sua mãe, que à época, vivia e tratava a quinta da Sarça, que fica entre o Manigoto e o Carvalhal.
Ora, o Alberto, como piloto da Força Aérea, de vez em quando aparecia aqui entre os céus de Pinhel e do Carvalhal, fazendo roncar o monomotor dum dos aviões que vieram para Portugal, oferecidos em troca da utilização da base das Lajes pelos Estados Unidos, e que já tinham feito muitas e muitas horas de voo na 2ª grande guerra mundial. Na nossa região ficou célebre pelos voos rasantes que fazia sobre a Quinta da Sarça para deixar cair cartas, mensagens e encomendas à sua mãe que naquela altura vivia nessa quinta.
Como naqueles tempos raramente se viam aviões a cruzar os céus de Pinhel, quando se ouvia o troar do monomotor militar, a população saía às portas de casa, à rua, e de mão na testa a servir de pala de boné, olhava o céu admirando as habilidades do Alberto da Tia Rita, que diante dos seus olhos fazia voos rasantes entre o Castelo, a torre do Relógio e a Trincheira e depois umas piruetas em forma de parafuso, e lá desaparecia ao longe, umas vezes na direcção da quinta do Sato, outras na da Surenta, espreitando, lá de cima do cockpit o terreiro da quinta da Sarça, para deixar cair ali a pouco mais de vinte metros de altitude, uma cartinha de amor ou uma encomenda para a sua bem amada Mãe.
Nós ... cá em baixo, no largo dos Combatentes ou no recreio do Colégio sonhávamos quando víamos o avião tripulado pelo Alberto da tia Rita: umas sonhavam vir um dia a ter uma declaração de amor de um bonitão piloto das FAP; outros - alguns dos meus colegas - sonhavam que, na sua actividade militar poderiam também, um dia, ser pilotos, fazer parte integrante dos "gloriosos malucos das máquinas voadoras" e vir fazer voos rasantes a Pinhel e às terras de onde eram naturais ou onde moravam as suas namoradas!
Mais tarde, o Alberto Pereira, foi comandante da TAP e foi formador de pilotos da empresa; foi ainda um dedicado coleccionador de objectos e recordações ligadas à aviação portuguesa, criando o museu da TAP. Agora esse espólio figura em sala própria com o seu nome - sala comandante Alberto Pereira - no Museu do Ar, na Granja do Marquês, em Sintra.
Precisamente há um ano - em 20 de Abril de 2009 - faleceu este ilustre carvalhense que nunca esqueceu as suas raízes e sempre se definia como alguém originário e amigo de Pinhel e da sua aldeia natal: o Carvalhal da Atalaia. Recordá-lo aqui é fazer reviver as suas e nossas juventudes.

O meu agradecimento a eneidabeirão por me ter feito chegar este bonito texto em homenagem ao saudoso "comandante Pereirinha"

domingo, 14 de março de 2010

O jovem pastor e o Presidente

José Abrantes Carneiro de Gusmão foi um dos mais notáveis pinhelenses da geração nascida no último quartel do séc. XIX (nasceu a 8 de Agosto de 1874). Na Câmara da nossa cidade foi vereador, vice-presidente com o Eng.º Augusto Furtado como presidente, e depois foi ele próprio o presidente da Câmara Municipal. Tomou pose deste cargo em 1931 e nele se manteve até 1945, levando a cabo obras que marcaram aquela época e contribuíram decisivamente para o progresso concelhio e para que o seu nome e as suas obras sejam ainda hoje lembrados. Futuramente voltarei a falar dele como uma das mais marcantes figuras de Pinhel.
Hoje venho evocar aqui uma história que na minha juventude me contou o “ti” José Simões. Do Manigoto, homem generoso e bom, de estatura meã, olhos vivos e sempre trajado, quando vinha a Pinhel, com uma impecável camisa branca debaixo dum fato completo (casaco, calça e colete), ostentando na botoeira do colete a corrente dum relógio de bolso. No futuro, noutra crónica, também gostaria de ter oportunidade para escrever sobre ele.
Contou-me que no principio dos anos quarenta do século passado, num domingo, quando, em visita de trabalho, esse presidente entusiasta e bairrista presidente da Câmara, senhor Carneiro de Gusmão, conhecido pelo “senhor Carneiro”, nessa altura perto dos setenta anos, mas montado ainda num esbelto cavalo, e acompanhado dum funcionário da Câmara, também a cavalo em luzidia égua, deslocaram-se de Pinhel para o Manigoto, com três objectivos no seu programa: observar as obras que, sob o patrocínio da Câmara, se andavam a executar na então estrada municipal Pinhel-Pínzio, ir à missa dominical celebrada na matriz da aldeia pelo padre Fragoso e, depois almoçar em casa do seu amigo e presidente da Junta senhor António Caetano Roque, cuja filha, a também generosa menina Aidinha, e a sua dedicada empregada senhora Ana, sabiam preparar como poucas a apetitosa refeição.
No caminho para o Manigoto encontrou junto a um lameiro, à ilharga da renovada estrada de macadame, um pequeno pastor, de uma dezena de anos a dar de beber ao rebanho num chafariz da berma.
Então parou a montada e perguntou-lhe: - Meu menino, sabes quantas ovelhas tem o teu rebanho?
O petiz respondeu: - setenta e oito ovelhas e um carneiro, meu senhor.
O senhor presidente ousou perguntar-lhe: - Quantos anos tem esse teu carneiro?
O pequeno imediatamente respondeu: - Tem um pouco mais de três anos, segundo diz o meu pai.
Então o nosso presidente Carneiro retorquiu-lhe: - Pois eu conheço um que já está a chegar aos setenta anos.
Resposta pronta do pastorzinho de palmo e meio: - Então, meu senhor, esse carneiro com essa idade já deve ter uns cornos muito grandes!
Claro, que o senhor Carneiro, depois dum sorriso amarelo mas ternurento, lá teve que esporar o cavalo e partir a trote para o Manigoto, que “se fazia tarde”, não sem ter desabafado para o companheiro de trajecto: “Quem com miúdos se mete… borrado se acha!”
Autor(a): Eneida Beirão
Fonte: Pinhel Falcão

sábado, 6 de março de 2010

O que resta da nossa escola

Há cerca de 45 anos que não entrava na nossa escola primária, hoje pomposamente dir-se-á de primeiro ciclo.
O que vimos é degradante; mapas corroídos pelo tempo e pela humidade, espólio da aprendizagem de muitos carvalhenses abandonado, carteiras cheias de excrementos da passarada, janelas partidas..., telhados desabados...
A escola é património municipal que a Câmara de Pinhel não tem conservado.
É urgente fazer-se um debate sobre o melhor aproveitamento a dar à escola. Como todos sabem as instalações são circundadas por um logradouro, em tempos recreio e jardim, que, aliado à localização dão ao local um valor extraordinário.
Deve ser restaurada? Alienada e com o produto da venda a ser aplicado em benfeitorias a realizar noutros equipamentos?
Aqui fica o desafio a todos os carvalhenses para opinarem e contribuírem para que o estado actual da escola acabe e seja encontrada uma solução que valorize o Carvalhal.

Fenómenos!

Não. Fenómenos só lá para os lados do Entroncamento.
Aqui foi a mãe natureza a fazer surpresas.
I- Num tomateiro do quintal da Glória foram contados setenta tomates.
II- Na horta da Lurdes foram criadas cenouras gigantes, com peso unitário de 500 gramas. Será que o Manuel Albino terá alguma fórmula de cruzamento de espécies ?
III- Também há por aqui boa gente que vai à horta colher salsa e volta com rama de cenoura.

Quem espera desespera

O homem andava um pouco triste. O dia da sua vindima estava prestes a chegar e a mulher tardava em aparecer.
Por motivos imprevistos estava impedida de se ausentar da cidade Invicta. Ele, certamente, já teria levado as mãos várias vezes à cabeça a pensar como se iria desenrascar.
Mas os amigos deram a ajuda necessária.

Quando os mais velhos entram em cena

Quem diria que tínhamos tão exímios jogadores e com tanta destreza no domínio da bola.
Por certo que os veremos um dia destes, defendendo as cores do Carvalhal num campeonato nacional.